Os designs de teste baseados em caixa preta são técnicas utilizadas para validar a funcionalidade do software sem precisar conhecer o código-fonte. Eles são focados nos requisitos do sistema e garantem que o software atenda às expectativas do usuário final. A seguir, exploramos algumas das principais abordagens desse tipo de teste.
1. Particionamento de Equivalência
O particionamento de equivalência divide os dados de entrada em grupos (partições) que devem se comportar de maneira semelhante. O objetivo é testar apenas um valor de cada partição, reduzindo o número de testes necessários sem comprometer a qualidade da validação.
Exemplo:
Se um sistema aceita números de 1 a 100, podemos dividir em três partições:
- Valores válidos: 1 a 100 (escolher um número, como 50, para testar).
- Valores inválidos abaixo do limite: menor que 1 (testar 0).
- Valores inválidos acima do limite: maior que 100 (testar 101).
Isso reduz a necessidade de testar cada número individualmente, garantindo eficiência.
2. Análise de Valor Limite
A técnica de análise de valor limite foca nos extremos das partições de equivalência, pois os limites tendem a ser áreas mais propensas a falhas.
Exemplo:
Para um campo que aceita valores entre 1 e 100:
- Testamos os valores nos limites: 1 e 100.
- Testamos valores logo fora do limite: 0 e 101.
- Testamos valores logo dentro do limite: 2 e 99.
Isso garante que o sistema lida corretamente com transições entre estados permitidos e não permitidos.
3. Tabela de Decisão
A tabela de decisão é útil quando há múltiplas condições que influenciam a saída do sistema. Criamos uma tabela listando todas as combinações de entradas e suas saídas correspondentes, garantindo que todas as possibilidades sejam testadas.
Exemplo:
Se um site concede desconto com base em idade e status de assinatura, a tabela pode ser:
Idade > 60 | Cliente Premium | Desconto Aplicado |
---|---|---|
Sim | Sim | 20% |
Sim | Não | 10% |
Não | Sim | 5% |
Não | Não | 0% |
Isso ajuda a visualizar rapidamente quais cenários precisam ser testados.
4. Transição de Estado
A técnica de transição de estado é usada para sistemas que mudam de estado com base em entradas e eventos. Criamos um diagrama de estados para mapear transições válidas e inválidas.
Exemplo:
Um cajero automático pode ter os seguintes estados:
- “Cartão Inserido” → Solicita senha.
- “Senha Correta” → Permite saques e depósitos.
- “Senha Errada 3 vezes” → Bloqueia cartão.
Aqui, testamos se o sistema permite e impede corretamente cada transição.
5. Teste de Caso de Uso
O teste de caso de uso é baseado em cenários do usuário. Ele valida se o sistema suporta fluxos reais de interação.
Exemplo:
Para um e-commerce:
- Cliente adiciona produtos ao carrinho.
- Cliente preenche endereço de entrega.
- Cliente finaliza pagamento.
- Cliente recebe e-mail de confirmação.
Testamos se cada etapa ocorre conforme esperado e se há falhas nos fluxos alternativos, como falha no pagamento.
Conclusão
Cada uma dessas técnicas de design de teste baseado em caixa preta tem aplicações específicas que ajudam a garantir a qualidade do software de forma eficiente. A escolha da técnica adequada depende da complexidade do sistema e dos requisitos do teste. O ideal é combinar várias dessas abordagens para obter uma cobertura mais abrangente e detectar falhas antes que cheguem ao usuário final.
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos ou aplicar essas técnicas ao seu projeto, experimente criar casos de teste práticos baseados nessas abordagens! 🚀